Joseph Losey: cruel observador da realidade

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Estranho Acidente (1967)

Na década de 1950, durante a chamada “caça às bruxas ao comunismo” conduzida nos Estados Unidos pelo senador Joseph McCarthy, existia uma “lista negra” em Hollywood. Quem fosse acusado de ser simpatizante da esquerda política encontrava dificuldades para trabalhar no mercado cinematográfico. O diretor Joseph Losey fazia parte do fatídico grupo. Teve até que se mudar para a Europa pra conseguir filmar com regularidade. Toda a hipocrisia e a falsa moralidade vividas por ele durante o incidente se tornaram temas recorrentes em sua filmografia, produzida principalmente na Inglaterra. O verniz dos bons valores e da normalidade que cobre a sociedade não resiste ao olhar desencantado de Losey.

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Detalhes de um mestre – Cão Branco (1982), de Samuel Fuller

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Terceiro post no blog, terceira citação a Samuel Fuller. Não é por menos: o diretor possui uma obra vigorosa, que fala diretamente aos sentidos do espectador. Lutou na Segunda Guerra Mundial, participando de diversas ofensivas contra alemães e italianos; na hora de filmar, postava a câmera como se estivesse em mais uma batalha, pronto para desnudar toda a hipocrisia moral e social existente na raça humana. Seus filmes são força bruta, mas não somente isso: são exemplos técnicos, de como enquadrar, movimentar, narrar por imagens.

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Detalhes de um mestre – Suspeita (1941), de Alfred Hitchcock

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Nem só de grandes sequências vive o cinema do Alfred Hitchcock – como aquela em que Cary Grant é perseguido por um avião em Intriga Internacional, o clímax de Pacto Sinistro no parque de diversões ou ainda o assassinato de Marion Crane em Psicose, para ficar em alguns. Muito de sua qualidade vem do cuidado em revelar informações e sentimentos com sutileza, surpreendendo o espectador ao utilizar um movimento de câmera inesperado ou um enquadramento específico.

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Mas, afinal, o que é o cinema?

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“O cinema não deveria entrar no museu, nem integrar instalações. O museu, como o teatro, é a sociedade burguesa. O cinema é uma arte popular, ele exige a sala escura, na qual podemos nos esconder num canto, onde estamos protegidos pela escuridão, onde não há entreato, nem coquetel, nem casacos de pele, nem olhares – salvo aqueles que circulam entre a tela e os espectadores.

E, quando o filme termina, e as luzes ainda não estão acesas, nós nos levantamos e vamos embora.”

Eugenio Renzi

Homenagear a Sétima Arte é o principal objetivo deste blog, que funcionará como um complemento ao meu trabalho no Cinefilia. O cinema é algo muito grande para não ser discutido, debatido, amado, compartilhado.

Samuel Fuller estava certo: “O cinema é um campo de batalha: amor, ódio, ação, violência, morte… em uma palavra: emoção”.