Mês do Imperador – Akira Kurosawa: Céu e Inferno (1963)

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Os filmes policiais de Kurosawa não se atêm somente às características do gênero do qual fazem parte: observam o mundo para radiografar a sociedade moderna e sua crise de valores como poucos. Os diagnósticos dessas análises, mesmo ligados ao modo de vida nipônico, são universais, como Céu e Inferno tão bem mostra. Continuar lendo

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Mês do Imperador – Akira Kurosawa: Homem Mau Dorme Bem (1960)

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É impressionante a lucidez encontrada nos roteiros criados por Akira Kurosawa e sua equipe de fiéis colaboradores — Hideo Oguni, Eijirô Hisaita, Ryûzô Kikushima e Shinobu Hashimoto. Seus dramas contemporâneos, os gendai-geki, como são conhecidos no Japão, desconstroem a sensação de invulnerabilidade da sociedade moderna pós-Segunda Guerra Mundial ao abordar, de forma pesada, sem concessões, temas como violência, política, divisão de classes. Homem Mau Dorme Bem faz parte desse grupo. Se não bastasse ser a obra mais bem filmada de Kurosawa, também é, de longe, a mais desesperançosa, uma mistura de noir com filme de horror. Continuar lendo

Mês do Imperador – Akira Kurosawa: Trono Manchado de Sangue (1957)

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Trono Manchado de Sangue leva o clássico Macbeth, de William Shakespeare, ao Japão feudal. E é justamente a adaptação da obra à cultura nipônica, cujos valores se baseiam na solidez das instituições sociais, que a faz ganhar uma força inédita. Curioso — e, de certa forma, devastador — ver manobras pelo poder, tão comuns nos regimes políticos corruptos e decadentes da Europa medieval, acontecerem no coração da sociedade japonesa. Continuar lendo

Mês do Imperador – Akira Kurosawa: Anatomia do Medo (1955)

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O maior trauma japônes do século 20 — a bomba atômica — ainda era ferida aberta quando Kurosawa filmou Anatomia do Medo, em 1955. Uma década não fora tempo suficiente para superar a destruição de Hiroshima e Nagasaki, ainda mais com a Guerra Fria e a corrida armamentista de Estados Unidos e União Soviética em pleno andamento. Em meio a um mundo em ebulição, a paranoia se transformou em legítima manifestação popular.

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Mês do Imperador – Akira Kurosawa: Cão Danado (1949)

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Em Cão Danado, de 1949, Kurosawa anteviu aspectos tão caros ao mundo atual: o embrutecimento da sociedade, a glamourização do crime e a banalização da violência sem sentido. Antes mesmo de se tornar conhecido mundialmente — o que aconteceria um ano depois, com Rashomon —, o cineasta já possuía um estilo de filmar completamente consolidado.

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Mês do Imperador – Akira Kurosawa: Os Sete Samurais (1954)

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“Um filme bom de verdade deve oferecer diversão. Não há nada complicado nisso. Um filme realmente bom é interessante e fácil de entender”. Essa frase do próprio Kurosawa, dita em um dos inúmeros documentários sobre sua carreira, reflete bem suas ideias sobre o cinema: entreter, de forma direta e eficaz. Continuar lendo

Mês do Imperador – Akira Kurosawa, o farol do Oriente que ilumina o mundo

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Podem existir cineastas japoneses melhores que Akira Kurosawa — talvez Ozu, Mizoguchi, Kobayashi? Podem existir longas japoneses melhores que os de Kurosawa — Era Uma Vez em Tóquio (1953), Contos da Lua Vaga (1953), Rebelião (1967)? Contudo, nenhuma filmografia nipônica foi, e ainda é, tão influente ao redor do mundo quanto a do Imperador. Continuar lendo