O Lobo de Wall Street (2013), de Martin Scorsese

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Martin Scorsese está em plena forma. Não faz um filme que pode ser considerado ruim desde Gangues de Nova York, em 2002, e, de lá pra cá, trabalhou com desenvoltura no cinema de gênero (policial, documentário, suspense psicológico, aventura infantil). Dá para contar nos dedos um cineasta que, a esta altura da vida, se dá ao luxo de criar uma obra tão envolta em polêmicas, banida e censurada em um punhado de lugares, como O Lobo de Wall Street. Filmando como menino, fez um dos longas mais mordazes da carreira do alto de seus 71 anos de idade. Continuar lendo

O Homem do Braço de Ouro (1955), de Otto Preminger

"Man With The Golden Arm, The" Frank Sinatra / 1955 © 1978 Bob Willoughby

O Homem do Braço de Ouro é um musical disfarçado de filme noir. Basta notar a presença esmagadora da trilha sonora de Elmer Bernstein que percorre quase todo o filme, um jazz meio esquizofrênico, nervoso, sensual, inquieto. Exatamente como o personagem de Frank Sinatra, Frankie Machine, um ex-carteador aspirante a baterista viciado em heroína, às voltas com um mundo tão, ou mais, mesquinho e mentiroso quanto seu vício.

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Expresso Para Berlim (1948), de Jacques Tourneur

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Existe algo mais aterrorizante do que uma guerra de proporções mundiais, onde dezenas de milhões de pessoas perderam a vida de forma bárbara? Em Expresso Para Berlim, Jacques Tourneur cria um noir expressionista sem fugir de seu gênero preferido, o terror. Afinal, apesar da amarrada trama de mistério e intriga, o filme versa mesmo sobre o horror das consequências da Segunda Guerra Mundial e seus efeitos no mundo. Continuar lendo

Providence (1977), de Alain Resnais

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Eric Rohmer disse certa vez, durante a década de 1960, que o cinema de Alain Resnais se assemelhava à poesia, onde a cronologia desaparece e o relato subjetivo se funde com o objetivo; no entanto, este modo de filmar abria “portas sem saída” para a Sétima Arte. Em outras palavras, o já falecido cineasta francês e ex-editor de Cahiers du Cinéma criticava o modo como os filmes de Resnais possuíam fim em si mesmo, com a forma prevalecendo sobre o conteúdo. Continuar lendo

A construção de um gênero: terror (Drácula, 1931)

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O cinema é uma arte constituída pela imagem. Somente a partir dela, a força dramática e poética de um filme existe – o diálogo, a palavra, é complemento, nunca o contrário. Entre os diversos gêneros cinematográficos, talvez o que mais dependa da imagem seja o terror: graças à manipulação entre o filmado e o ocultado pela câmera, o medo aflora no público – o som se faz essencial para essa função, mas de nada adianta sem ter algo interessante a se mostrar. O terror feito hoje, e o dos últimos oitenta anos, tem como base Drácula, de 1931, dirigido por Tod Browning, obra mais influente do que aparenta. Continuar lendo