O Mensageiro do Diabo (1955), de Charles Laughton

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Já que no último texto comentei sobre filmes que tratam a infância como ela realmente é – um período rico, complexo e difícil da vida -, decidi permanecer no tema ao lembrar de um clássico esquecido. O ator inglês Charles Laughton  já era consagrado quando, sem experiência alguma em direção, fez uma das mais sombrias fábulas infantis do cinema: O Mensageiro do Diabo.

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Tempestade Sobre Washington (1962), de Otto Preminger

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“Esta é Washington D.C., cidade da mentira. Os outros sabem que você está mentindo, e também sabem que você sabe que eles sabem”. A frase do protagonista de Tempestade Sobre Washington, o senador indicado a Secretário de Estado americano vivido por Henry Fonda, resume o espírito dessa obra-prima política. Otto Preminger fez um retrato ao mesmo tempo sisudo, sarcástico e desencantado sobre a vida pública dos Estados Unidos – mas com um quê de universal, afinal, política é política em qualquer lugar do mundo.

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O Abutre (2014), de Dan Gilroy

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O fator mais impressionante de O Abutre é a forma como atualiza os temas de um clássico do cinema, Taxi Driver. Se no filme de Martin Scorsese o protagonista busca salvar sua metrópole da escória que a habita, mesmo que faça isso por vias tortas, o longa de Dan Gilroy mostra um homem apenas interessado em se alimentar da esquizofrenia da cidade grande. Sinal dos tempos.

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Trapaça (2013), de David O. Russell

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No mundo de Trapaça, a representação é uma constante: o golpista esconde a calvície, o detetive faz cachos em seu cabelo liso pra parecer mais humilde, a amante se passa por aristocrata inglesa pra esquecer a vida indigna que já levou. Isso não significa que o filme trate do poder da imagem, de como a imagem se torna farsa de uma realidade falida. Seria um caminho interessante a percorrer, pois a trama fala justamente disso: corrupção por baixo dos panos, acordo secretos com criminosos etc. Continuar lendo

O Lobo de Wall Street (2013), de Martin Scorsese

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Martin Scorsese está em plena forma. Não faz um filme que pode ser considerado ruim desde Gangues de Nova York, em 2002, e, de lá pra cá, trabalhou com desenvoltura no cinema de gênero (policial, documentário, suspense psicológico, aventura infantil). Dá para contar nos dedos um cineasta que, a esta altura da vida, se dá ao luxo de criar uma obra tão envolta em polêmicas, banida e censurada em um punhado de lugares, como O Lobo de Wall Street. Filmando como menino, fez um dos longas mais mordazes da carreira do alto de seus 71 anos de idade. Continuar lendo

O Homem do Braço de Ouro (1955), de Otto Preminger

"Man With The Golden Arm, The" Frank Sinatra / 1955 © 1978 Bob Willoughby

O Homem do Braço de Ouro é um musical disfarçado de filme noir. Basta notar a presença esmagadora da trilha sonora de Elmer Bernstein que percorre quase todo o filme, um jazz meio esquizofrênico, nervoso, sensual, inquieto. Exatamente como o personagem de Frank Sinatra, Frankie Machine, um ex-carteador aspirante a baterista viciado em heroína, às voltas com um mundo tão, ou mais, mesquinho e mentiroso quanto seu vício.

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